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http://hdl.handle.net/10071/37264| Editor: | André, Paula |
| Date: | May-2026 |
| Title: | 11º COLÓQUIO Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos |
| Pages: | VI, 152 p. |
| Reference: | André, P. (Ed.) (2026).11º COLÓQUIO Arquitectura dos Territórios Metropolitâneos Contemporâneos: Atas. DINÂMIA’CET-Iscte. http://hdl.handle.net/10071/37264 |
| ISBN: | 978-989-584-296-4 |
| Keywords: | Arquitetura -- Architecture Cidade -- City Alteração climática -- Climate change Ordenamento do território -- Territorial planning |
| Abstract: | As cidades são obras de arte (Lefebvre, 1998), projetos partilhados (Montgomery, 2013) e construídos a várias mãos que devem servir, de uma forma democrática e inclusiva, todos os interesses. Atualmente, o planeamento e a gestão urbana apresentam vários desafios aos gestores urbanos, principalmente, às autarquias, que a academia ajuda a enquadrar, analisar e solucionar, segundo as suas várias áreas temáticas.
Na área do ambiente, há uma preocupação crescente com a reutilização e a reciclagem de materiais, com a redução da poluição urbana, com a mitigação dos eventos de precipitação ou de seca extrema e o aumento da temperatura do ar, de que são exemplo o fenómeno das ilhas de calor e a subida do nível médio das águas do mar. Na mobilidade, destaca-se a necessidade de diminuir as deslocações diárias e o tráfego congestionado, implementando-se soluções de mobilidade suave e ativa e apostando nos transportes coletivos, medidas que se traduzem, também, numa cidade mais saudável para todos. No planeamento, opta-se por modelos de cidade de proximidade, diversificando e aumentando a oferta funcional dos bairros, criando espaços públicos confortáveis, onde apetece parar, estar e viver.
Em todas estas questões, a utilização da inteligência artificial é um poderoso auxiliar, com a analítica de dados a influenciar o planeamento urbano e a tomada de decisão, a implementação do BIM a centralizar em modelos 3D a informação urbana, os digital twins a apoiarem a monitorização e a previsão de fenómenos urbanos extremos, a prevenção de catástrofes, e a possibilitarem a concretização de propostas urbanas rápidas e eficientes que respondam às necessidades das populações, nomeadamente, no campo da oferta de habitação.
Mas, se por um lado, a tecnologia é um apoio essencial na análise e na construção de espaço urbano, por outro lado, o seu uso obsessivo está a desconectar os corpos dos territórios, o cidadão e a cidade, empobrecendo a literacia sensorial e urbana que os deveria reger na orientação e na ocupação do espaço, criando inseguranças, medos e um conhecimento dos territórios baseado em narrativas subjetivas e não na experiência própria do corpo.
Por tudo isto, refletir sobre os territórios metropolitanos contemporâneos, apresentando soluções que respondam, de forma equilibrada a todas as questões, é um processo complexo e um desafio que a todos cabe: à academia, que os investiga, conhecendo o seu passado e o seu presente, para assim propor ações e intervenções futuras onde cabem a inovação e a utopia; às autarquias, que têm a seu cargo, entre outros, o planeamento e a gestão urbanos; aos cidadãos, através da participação cívica, do seu comportamento e uso do espaço.
O Colóquio Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos, na sua 11ª edição, é um espaço de excelência para a discussão partilhada entre a Academia, a Câmara Municipal de Lisboa e os cidadãos, ao trazer para o debate partilhado temas que a todos importam. O Centro de Informação Urbana de Lisboa, na sua missão de conectar a autarquia e a academia, promovendo e divulgando “informação urbana de Lisboa e conhecimento sobre urbanismo, incentivando a aprendizagem, reflexão, participação e cocriação de soluções para o desenvolvimento sustentável da cidade”, congratula-se por ser, uma vez mais, o canal para que esse diálogo se estabeleça e fortaleça. O 11º Colóquio do Doutoramento em Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos do Iscte do Instituto Universitário de Lisboa assume-se como um amplo espaço de debate plural, em compromisso com os actuais desafios, valorizando o diálogo, a investigação, e definindo colectivamente questões. Acreditamos que se pode gerar conhecimento novo a partir de interações e conexões com todo o ecossistema da cultura arquitectónica, desafiando narrativas hegemónicas e conceitos dominantes, fomentando intercâmbios transculturais que contemplem a interdisciplinaridade, a inclusividade, a sustentabilidade e a inovação, matriciais e estruturais no Iscte - Instituto Universitário de Lisboa. As investigações em curso, integradas nos centros DINÂMIA’CET-Iscte (Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território) e ISTAR-IUL (Centro de Investigação em Ciências da Informação, Tecnologias e Arquitetura), e apresentadas neste 11º Colóquio, agregam as novas constelações que compõem os territórios metropolitanos e revelam o potencial da dinâmica mutável das relações espaço temporais num múltiplo entrelaçado de sobreposições, cruzamentos, e fusões, numa pluralidade de abordagens, de experiências, e reunindo um conjunto alargado de temáticas. Desde a equidade, a ecologia, os ecossistemas, e o valor patrimonial da paisagem, passando pela reutilização adaptativa e pela transformação de edifícios, assumindo a história como uma ferramenta operativa e crítica para situar a prática arquitectónica dentro de temporalidades complexas e interconectadas, sempre cientes que cada recuo implica uma preocupação com o presente e com o futuro. Desde as políticas do espaço público, aos espaços funcionalmente ambíguos, às múltiplas dimensões do corpo, da arte, da mediação, das identidades, dos espaços de resistência, e à condição espacial de limiar. Desde as políticas da habitação e ao questionamento do seu futuro, passando pela fotografia como instrumento de reflexão contemporânea e de questionamento disciplinar, e pela cidade como narrativa, incluindo as ferramentas digitais, o design especulativo e os territórios colaborativos e da participação, entre muitas outras. Essas investigações são realizadas em abordagens multi-escalares que vão da long durée (Fernand Braudel), à micro-história (Carlo Ginsburg; Giovanni Levi), e dos estudos subalternos (Ranajit Guha), aos production studies (Sergio Ferro; Christine Wall), valorizando o trabalho de campo, porque há que se ir às coisas (Ruth Verde Zein), os testemunhos orais e os arquivos, naturalmente repensados na era da inteligência artificial, e entendidos como sistemas activos que apoiam a criação de novo conhecimento. Explorando criticamente vias preestabelecidas ou explorando novas formas de intervir sobre o existente a partir de enfoques experimentais e críticos, o desafio de abordar as complexidades socioeconómicas, as estruturas de governança e as dinâmicas interdisciplinares, não deve esquecer o espaço público como estrutura activa da democracia (Angélica Benatti Alvim). Assumindo este colóquio como um território, e entendendo a arquitectura como parte de um sistema aberto de relações e desequilíbrios, de ambientes mediáticos e de redes de comunicação e visualização, e sentindo uma obrigação moral em compartilhar experiências, este encontro, na senda do papel da arquitectura como catalisadora do engajamento democrático, da coesão social e da equidade (União Internacional dos Arquitectos), é também um espaço de transferência de conhecimento para a sociedade, um espaço para ouvir e para procurar compreender o poder transformador da arquitectura, relembrando que “há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra” (Conceição Evaristo). |
| Peerreviewed: | yes |
| Access type: | Open Access |
| Appears in Collections: | DINÂMIA'CET-AC - Atas de congresso/Proceedings (organização, edição literária, ...) |
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